domingo, 30 de junho de 2013

Bom senso.

Eu entendo, realmente entendo. Deve ser muito complicado mesmo.
Talvez seja pecado meu entender, mas não posso fazer nada contra ou deixar de agradecer a Deus por ser assim. É claro que seria muito melhor pra mim se com você as coisas fossem do jeito que são comigo, porque gente feliz enche menos o saco. Infelicidade é uma coisa que vem de dentro da gente. Não é algo que a gente traz de fora. Pelo contrário, você não é infeliz porque fulana tem algo bom. Você é infeliz porque você é que não tem ou não é aquilo. Então, não culpe os outros por aquilo que você não tem, ou não é. Ontem, hoje e amanhã, quem sabe, vou acordar, agradecer e sorrir por tudo que eu sou e conquistei até agora. E é essa a diferença. Eu sou feliz pelo que eu tenho e pelo que eu sou.
Então, um conselho meu: se você não é feliz ou não se contenta com o que é ou o que tem, não vá encher o saco de quem é, porque falar mal ou torcer contra, me desculpa, mas não vai resolver.
Abre mais o olho e menos a boca.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O barco, a espuma e o prédio.

Se a vida fosse um barco, hoje eu estaria lá na proa.
Se fosse espuma, hoje eu estaria ao vento.
Se fosse um Burj Khalifa, hoje eu estaria na janela do centésimo sexagésimo terceiro andar.
Pronta pra mergulhar. Pronta pra voar. Pronta pra me jogar.
Hoje o espelho da minha vida reflete o que eu não poderia imaginar.
É tudo, é nada, é tudo e nada ao mesmo tempo.
Entrada e saída, pergunta e resposta, medo e coragem, amor e ódio.
Não posso viver do tempo, não quero ficar no ócio.
Veja bem, meu bem. Pense com um olhar igual ao meu.
Por que é que tudo se perdeu?
O barco afundou, a espuma se desfez, o prédio caiu.
Agora são só lembranças, que o tempo também vai levar.
O coração é o mar, e lá no fundo tem partes  do barco que não vão se desfazer.
A alma é o ar, que guarda o cheiro da espuma que voou.
E a gente, nós dois, o prédio que desmoronou.
Era tão alto, tão bonito, tão cheio de detalhes.
E hoje é só escombro. Poeira, sujeira e tristeza do que ficou.
Assim será melhor, meu bem.

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Quatro, cinco ou seis ou mais.

Já está bem tarde e eu ainda não dormi. Briguei com o sono a tarde toda, só pensando no que te dizer a noite. É bem verdade tudo aquilo que você diz. Não tiro a sua razão. Mas se é tão ruim, porque ainda está perto de mim? Eu desvio o olhar para não precisar pensar. Eu troco de canal pra evitar ter que pensar. Eu mudo de assunto, eu tento, eu fujo, eu digo que não. Talvez errada esteja eu, mesmo. Talvez só eu não tenha percebido que chegamos ao fim do abismo. Não tem saída, não tem pra onde ir. Não temos mais como evitar ou correr.  E é aqui que eu me despeço, te dou meu abraço e te peço, se você foi feliz, não guarde rancor. Deixa pelo menos isso pra mim. Deixa que eu vá dormir com um gosto amargo na garganta, com tudo que eu não disse engasgado. Deixa só pra mim a parte ruim. Pode ficar com o que foi bom. Guarde as lembranças, as coisas boas, nossas memórias. Aquele meu tênis velho também. Eu volto pra buscar um dia que a saudade apertar (mais). A culpa não foi sua nem minha, foi de nós, que fomos orgulhosos demais para voltar atrás. Se hoje é assim, fomos nós que não fizemos nada para mudar. De certo eu não era a pessoa mais certa do mundo mas você também não era lá essa coisa toda. A gente errava e tentava de novo. Só que um dia.. Bem, um dia a gente acordou e disse que não ia mais errar. E foi aí que estivemos certos pela primeira vez. Nunca mais erramos porque deixamos de tentar. Cada um pro seu lado, cada sorriso seguindo uma rota diferente, fingindo estar tudo bem. Hoje as coisas ainda tem cheiro de ontem mas amanhã vão deixar de ter. Vão ter um cheiro novo, cheiro de recomeço. Talvez o clima ainda seja meio triste, mas aí eu vou lembrar que você está feliz e eu vou ficar também. A propósito, aqueles papeis sobre a mesa, eu peço que me devolva.  Ainda vão servir para que eu escreva no verso, um verso pra tentar trazer você de volta. E se não funcionar, eu vou dar outro jeito, porque desse jeito não vai dar pra ficar. Ainda não deu pra perceber exatamente como tudo vai correr sem você aqui. Eu não acredito muito que o tempo vá parar, que as pessoas deixem de trabalhar ou sorrir só porque você foi embora. E embora seja assim, não vai ter jeito, eu vou parar meu tempo só pra ter você pra mim. Nem que seja só em pensamento, porque vai que com toda a sorte do mundo, eu pense tanto que consigo te trazer pelo vento? Mas tudo bem, se não funcionar também não tem problema, eu não vou chorar (agora). Talvez amanhã ou depois, quando não tiver mais nada seu para contar história, para contar a nossa história. E se eu não chorar na sua frente não fique triste é que eu ainda gosto de pensar que você só queria me fazer feliz e que nunca queria me ver chorar, mesmo que eu saiba que isso não é mais verdade. Eu queria te acordar agora e dizer isso tudo mas já está bem tarde e eu ainda não dormi.

terça-feira, 4 de junho de 2013

Acabou o teatrinho, Bia.

          Fazer uma peça de teatro é se deixar morrer um pouco a cada apresentação. 
E mergulhar num personagem é deixar seu corpo modelar a forma e espírito dele.
Cada vez que se sobe no palco é  como se o mundo que existe lá fora se apagasse por alguns instantes e tudo que restasse fosse apenas aquilo, aquela realidade e nada mais. 
        Os ensaios, em sua profunda essência, nada mais são que a gravidez de um personagem, e  a estreia da peça, seu nascimento. Engravidar de um personagem e dar vida à ele é tão bonito quanto à maternidade, porque você adquire características dele e permite que suas sejam repassadas a diante. E como a única certeza de que se tem da vida é a morte, o nascimento de um personagem não teria outra saída. O ser humano tem a péssima mania de achar que a morte é sempre triste. E é aí que entra a arte, para mostrar que a morte de um personagem é a ação mais bonita que um ator pode ter.
     Deixar este morrer é a prova viva de que o dever foi cumprido, pois a morte só se dá a cada vez que a gente se doa de corpo e alma, quando a gente deixa de viver a própria vida para viver um mundo novo, para ser outra pessoa.  Não devemos ficar tristes quando ouvimos os aplausos finais, quando as cortinas se fecham e se dá por encerrada mais uma apresentação. Pelo contrário! São nesses momentos que devemos estar mais alegres, demos  vida á vida da arte e fizemos com que cada pessoa que esteve ali presente, pudesse fazer parte daquele mundo novo e levar para casa uma promessa de transformação, porque de nada adianta fazer arte se não se quiser transformar o mundo.